Arquivo da categoria: Aspectos Comportamentais

Meritocracia

A meritocracia é dotada de uma máxima que diz: ”A cada um é dado o que merece”.

O conceito mais amplo de meritocracia nos leva a uma ideologia que prega a tese que considera no mérito a forma de conquista de determinada coisa, posição ou status. Uma forma justa de avaliação.

Ideologia, esta é, na verdade, a palavra chave quando falamos deste assunto. O que é ideal para cada um de nós? O que cada um entende por mérito? Até onde o ideal de um será ideal para outra pessoa?

É certo afirmar que a concepção de meritocracia nos transporta a uma sensação de forma justa de definir, sem discriminação, a eleição ou definição de um candidato ao prêmio oferecido. Entretanto para ser uma avaliação justa vale lembrar que é necessário criar um sistema de critérios bem definidos para não correr o risco de ser uma metodologia fracassada.

Garantir igualdade de condições para a conquista do mérito deve ser, sempre, uma premissa básica na concepção de um critério, tornando mais crédulo o processo de disputa. Quando falamos em igualdade garantimos nivelar as bases de partida permitindo que o processo transcorra justo e perfeito e trazendo como retorno maior produtividade e eficiência.

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Conheça a você mesmo

Epidauro era uma cidade da Grécia antiga situada às margens do Mar Egeu. Era célebre pelo santuário dedicado a Esculápio, deus da Medicina. Em Epidauro estava situado o centro de saúde de toda a Grécia.

Contava-se que pessoas acometidas por várias enfermidades acorriam a Epidauro para se curarem. Lá, eram recebidos por sacerdotisas curandeiras. Assim que chegavam, depois de uma conversa preliminar e o reconhecimento do lugar, recebiam para beber uma poção com ervas medicinais que as faziam dormir por dois ou três dias. Quando acordavam iniciavam um período de profunda reflexão e auto crítica, apoiados por conversas com as sacerdotisas para identificarem o que estava errado em suas vidas.

Diferente da atualidade em que problemas de saúde se resolvem com remédios e hospitais, para os gregos, a saúde física e mental estaria bastante relacionada aos hábitos de vida e, principalmente, ao grau de satisfação e amor que as pessoas nutriam. Para terem saúde, que olhassem com mais carinho para si mesmas e, envolvidas com seu próprio destino, se colocassem em exercício constante de seus talentos, na luta para realizá-los plenamente no mundo.

Costumava-se dizer que as pessoas deveriam consultar seus Deimons; gênios interiores ou luzes profundas. Dizia-se que os chás medicinais de Epidauro colocavam as pessoas num estado de relaxamento que propiciava um encontro com as motivações profundas há muito esquecidas, além dos ideais, ética e sonhos reprimidos pelas exigências do dia a dia. O próprio Sócrates afirmou ser guiado por seu Deimon nos discursos que nos legou através de Platão.

Mais tarde, sob a égide do Império Romano e do Catolicismo inicial, estas visões de mundo foram perseguidas como seitas pagãs. Depois da queda do Império Romano, em 476 dc, sem a presença de um poder central autoritário e forte, estas crenças voltaram a existir.

É justamente aí que começa a nossa história dos Diabos. Mais ou menos no ano de 1600, quando a Idade Média já começava a dar sinais de desfalecimento, o famoso astrônomo e matemático Johannes Kepler teve a sua idosa mãe curandeira presa e ameaçada de morte, justamente porque ela costumava receitar chás. A acusação à senhora genitora do cientista foi baseada no fato de que os algozes da Inquisição encontraram na estante de Kepler um livro de infância, escrito por ele mesmo ainda menino, no qual afirmava, numa brincadeira, ter viajado à Lua, depois de tomar um chá feito por sua mãe. Mesmo com as devidas explicações a mãe de Kepler foi presa.

Como o leitor deve saber o termo Inquisição se refere à eliminação das heresias e seitas pagãs. Desde 1184 até se fortalecer em 1542, o condenado era responsabilizado pelas doenças e misérias sociais. Era entregue às autoridades do Estado para que fosse punido. As penas variavam do confisco de bens e perda de liberdade até a morte na fogueira.

O que estava acontecendo é que a instituição religiosa nascente não estava conseguindo fazer crescer os seus adeptos porque as pessoas insistiam em procurar os conselhos das idosas curandeiras que abundavam na Europa. Depois de uma perseguição a estas senhoras, foram chamadas de bruxas e condenadas a morte. Além disto, estas visões foram perseguidas com a acusação de que orientavam as pessoas na direção do Demônio (Deimon).

Quando o povo simples começou a perguntar qual era a forma do tal Demônio, foi inventado pelas autoridades que o Demônio tinha a forma de uma famosa figura da Grécia antiga; o deus Pã.

Na Mitologia grega, “Pã era o deus dos bosques, dos rebanhos e dos pastores. Residia em cavernas e era representado com orelhas, chifres e pernas de bode. Amante da música, trazia consigo uma flauta. Era temido pelos que atravessavam florestas à noite, pois as trevas os predispunham a ter pavores súbitos, atribuídos a Pã; daí o nome pânico.”

Com medo deste Pã, tornado assustador, sinistro e perigoso, as pessoas afastaram-se das curandeiras e de seus conselhos. Aos poucos foram se esquecendo também do mergulho em si mesmas e da necessidade de viverem por paixão pela vida. A origem da palavra paixão (pathos) viria, mais tarde, se tornar sinônimo de doença (patologia).

Desde então, tudo o que vinha das motivações interiores das pessoas foi associado ao pecado e a perdição. Mesmo o sorriso e a gargalhada foram banidos durante séculos dos contatos humanos. As mulheres, que na antiguidade eram símbolos de fertilidade e religiosidade, foram banidas de suas funções sagradas pelos novos homens sacerdotes.

Facilmente manipulados pelos medos infiltrados em nossa consciência, iniciaríamos um período alienado que se estenderia até hoje, onde perdidos e desorbitados de nós mesmos, nos tornaríamos superficiais, vazios e assoberbados por pânicos e dogmas, além de um excesso de expectativas exteriores alimentadas em nós por interesses “maiores”.

Mais tarde, nos perderíamos num racionalismo abstrato que nos deu esperteza bastante para colecionarmos justificativas e argumentos para não sermos o que somos. Assim, seriamos vítimas fáceis para a nascente época industrial, na qual nos tornamos discípulos dóceis e obedientes das máquinas e de seus produtos. Finalmente, nos tornarmos serviçais resignados de um sistema econômico que nos manipula, submete, aliena e exaure sem dar tempo e oportunidades a maioria de nós para um verdadeiro e salutar encontro interior, verdadeira origem de um destino que nos realizaria de fato.

Lembrando a inscrição no famoso templo grego de Delfos, sempre repetida pelo grande filósofo Sócrates: “Conhece a ti mesmo”. No fim das contas, o demônio foi criado para nos afastarmos de nós mesmos.

Texto recebido por e-mail. Autor desconhecido.

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Direitos x Deveres

Texto escrito pelo  juiz da 5ª Vara Cível  da Comarca de Blumenau e que leciona na FURB….

Caros alunos e professores,
Outro dia, em sala de aula no período da manhã, eis que deparo-me, nos vãos calçados entre os blocos prediais da FURB, com uma faixa colocada pelo
Sinsepes (quero crer tratar-se de algum sindicato ou congênere) dando comunicação de um imperativo “educação é um direito de todos” (acho que é isso que diz, entre outros comunicados, a referida faixa).
O que me ocorreu não foi um espanto confuso, uma exaltação surpreendente ou um átimo de estouro, foi uma perplexidade infame, uma constatação tristonha ou, quiçá, um pressentimento preocupante.
Ora, quando falamos em direito nesses termos, o conceituamos como uma obrigação que alguém tem com você. Se essa obrigação do terceiro é retirada, o que sobra do direito é nada, ficando apenas a retórica (que nem os sofistas conseguiriam resgatar – ainda bem!). É equivalente à sentença vazia que determina o pagamento de certa quantia a alguém sem que diga quem vai pagar.
No caso específico da educação, se o “direito” é a “obrigação de um terceiro com você”, esse terceiro são os burocratas: professores, pedagogos, intelectuais e outros dessa biologia maluca.
Mas, e quando o terceiro confunde-se com o destinatário, tornando a obrigação algo para si próprio? Ou dito em outras palavras, quando é que vamos entender que a educação não é um direito e sim um dever?!! … Uma obrigação que o sujeito tem consigo mesmo?!!
O pai tem o dever de educar seu filho, o estado tem o dever de proporcionar até certo grau a chance de educação ao cidadão, mas, principalmente, atingido o grau mínimo de autoconsciência É DEVER DE CADA UM EDUCAR-SE, cáspita!!!
É essa conveniente mania do grito constante de “direito, direito, direito” – sem a correlata, mesmo em sussurro, advertência de “dever” – que faz com que os estudantes brasileiros permaneçam, endemicamente, nos últimos lugares nos testes internacionais de ensino.
Quando será que aprenderemos que a personagem principal (ativa) na sala de aula deve ser o aluno? Para esta exposição, recorro a um dos meus melhores professores, Olavo de Carvalho, que no texto “Educação ao contrário” vaticinou:
… a experiência universal dos educadores genuínos prova que o sujeito ativo do processo educacional é o estudante, não o professor, o diretor da escola ou toda a burocracia estatal reunida. Ninguém pode “dar” educação a ninguém. Educação é uma conquista pessoal, e só se obtém quando o impulso para ela é sincero, vem do fundo da alma e não de uma obrigação imposta de fora. Ninguém se educa contra a sua própria vontade, no mínimo porque estudar requer concentração, e pressão de fora é o contrário da concentração. O máximo que um estudante pode receber de fora são os meios e a oportunidade de educar-se. Mas isso não servirá para nada se ele não estiver motivado a buscar conhecimento. Gritar no ouvido dele que a educação é um direito seu só o impele a cobrar tudo dos outros – do Estado, da sociedade – e nada de si mesmo.
Se há uma coisa óbvia na cultura brasileira, é o desprezo pelo conhecimento e a concomitante veneração pelos títulos e diplomas que dão acesso aos bons empregos. Isso é uma constante que vem do tempo do Império e já foi abundantemente documentada na nossa literatura. Nessas condições, campanhas publicitárias que enfatizem a educação como um direito a ser cobrado e não como uma obrigação a ser cumprida pelo próprio destinatário da campanha têm um efeito corruptor quase tão grave quanto o do tráfico de drogas. Elas incitam as pessoas a esperar que o governo lhes dê a ferramenta mágica para subir na vida sem que isto implique, da parte delas, nenhum amor aos estudos, e sim apenas o desejo do diploma.
Portanto, meus caros, subam pela escada construída por vocês próprios; com genuíno esforço, com honrosa dignidade e inabalável verdade, ou então não subam por nenhuma!
Atenciosamente,

Stephan Klaus Radloff.

Texto recebido por e-mail e repassado na integra. Caso não tenha sido exatamente este o texto escrito ou caso ele tenha sido alterado, antecipo minhas desculpas ao autor.

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